Faculdade Sírio-Libanês Medicina: História, Mensalidade, Formas de Ingresso e Curiosidades
A Faculdade Sírio-Libanês de Ciências da Saúde, mantida pelo Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa (IEP), é uma das faculdades de Medicina mais novas do Brasil: o curso foi autorizado pelo MEC apenas em 2025. Isso muda o tipo de informação disponível sobre ela — não há ainda formandos, tradições consolidadas de décadas ou um histórico longo de notas do MEC — mas também torna a instituição um caso interessante para entender como nasce, do zero, um curso de Medicina dentro de um hospital filantrópico centenário. Veja a história por trás da faculdade, sua estrutura, o que se sabe sobre custos e como funciona o vestibular.
📚 A história da faculdade
A história começa muito antes de existir qualquer curso de graduação. Em 28 de novembro de 1921, um grupo de mulheres da colônia sírio-libanesa em São Paulo formalizou a Sociedade Beneficente de Senhoras — Hospital Sírio-Libanês, entidade que ainda hoje é a mantenedora de todo o ecossistema Sírio-Libanês, incluindo a faculdade. A construção do hospital começou em 1931, mas o percurso foi longo: os primeiros pacientes só passaram a ser atendidos a partir de 1961, e a inauguração oficial do Hospital Sírio-Libanês aconteceu em 15 de agosto de 1965.
A vocação para ensino e pesquisa é bem posterior à fundação do hospital. Em 2003, a instituição criou o Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa (IEP), que passou a concentrar a formação de profissionais de saúde e a produção científica ligada ao hospital; em 2005, o IEP foi certificado pelo MEC e começou a oferecer cursos de pós-graduação lato sensu. Por duas décadas, esse braço de ensino funcionou majoritariamente na pós-graduação e na residência médica — sem oferecer graduação própria.
Isso mudou em 2023, quando a instituição lançou a Faculdade Sírio-Libanês de Ciências da Saúde, com os primeiros cursos de graduação: Enfermagem, Fisioterapia e Psicologia, com cerca de 50 vagas por curso a cada semestre, num novo prédio de 11 andares erguido na Rua Martiniano de Carvalho, no bairro da Bela Vista, próximo à Avenida Paulista. O primeiro vestibular da faculdade, ainda em 2023, reuniu cerca de 700 candidatos para essas três graduações.
O passo mais recente — e o que interessa diretamente a quem pesquisa este texto — veio em 2025: o curso de Medicina (junto com Biomedicina) foi autorizado pelo MEC por meio da Portaria Seres/MEC nº 226/2025, publicada no Diário Oficial da União em 7 de abril de 2025. O lançamento oficial do curso aconteceu em maio de 2025, em evento que contou com a presença do presidente da República e do ministro da Educação — sinal do peso político e simbólico que a abertura de um novo curso de Medicina carrega no país. A primeira turma começou as aulas no segundo semestre de 2025.
Filantrópica não é sinônimo de gratuita
A mantenedora da faculdade — Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês — é uma entidade privada, sem fins lucrativos e filantrópica. Isso não torna o curso de Medicina gratuito: a mensalidade continua existindo para financiar a operação. A diferença está no destino do eventual superávit financeiro, reinvestido na própria instituição, e em contrapartidas sociais, como o percentual de receita destinado a ações do SUS (veja a seção de custos).
🏥 Estrutura e hospital-escola
O campus de Medicina funciona no prédio de 11 andares da Faculdade Sírio-Libanês, na unidade Bela Vista, com salas equipadas e laboratórios de simulação. Segundo dados divulgados pela própria instituição no lançamento do curso, o corpo docente reúne um perfil bastante qualificado: 98% dos professores são doutores, com média de 17 anos de prática clínica e 9 anos de experiência docente.
A prática clínica dos alunos deve se apoiar no que a instituição chama de "Ecossistema Sírio-Libanês": mais de 750 leitos somando unidades próprias de saúde suplementar e equipamentos públicos administrados pelo hospital via contratos de gestão com o poder público — entre eles o Hospital Geral do Grajaú e o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, ambos vinculados ao SUS. Isso segue um modelo parecido ao de outros hospitais filantrópicos de grande porte que também formam médicos: o aluno tem contato tanto com a rede privada quanto com a assistência pública.
Sobre metodologia, a faculdade descreve um currículo integrado e centrado no estudante, com unidades curriculares interdisciplinares, "trilhas de aprendizagem" que permitem alguma personalização do percurso, mentoria docente individualizada e conteúdos transversais como pensamento computacional, cuidados paliativos e práticas de bem-estar. Os materiais institucionais consultados não usam explicitamente o termo "PBL" (aprendizagem baseada em problemas) para descrever o método — por isso, evitamos rotular a metodologia com esse termo específico sem confirmação direta da faculdade.
Nota máxima do MEC na autorização
Segundo reportagens da CNN Brasil e da Agência Brasil (EBC) sobre a aprovação do curso, o curso de Medicina da Faculdade Sírio-Libanês recebeu nota máxima em todas as dimensões avaliadas pelo MEC no processo de autorização (projeto pedagógico, corpo docente e infraestrutura) — um indicador forte para um curso recém-criado, ainda que distinto de avaliações posteriores como o Enade/CPC, que só existirão depois que o curso completar seu primeiro ciclo.
💰 Quanto custa
Por ser uma instituição privada — mesmo sendo filantrópica e sem fins lucrativos —, o curso de Medicina da Faculdade Sírio-Libanês cobra mensalidade. Para o ciclo 2026, o valor divulgado é de R$ 13.020,00 por mês, para um curso de 6 anos (12 semestres), em período integral, com carga horária total de 8.600 horas.
No campo de bolsas, o edital de bolsas próprias da faculdade prevê até 5 bolsas integrais para o processo seletivo 2026, concedidas por critério socioeconômico. Um ponto importante do regulamento: a própria faculdade afirma destinar 10% da receita bruta do curso de Medicina a ações e programas ligados ao SUS, uma contrapartida típica de entidades filantrópicas.
Sobre ProUni e FIES: nenhum dos dois programas aparece como modalidade de ingresso no edital 2026 do vestibular. Mais que isso, o próprio regulamento das bolsas próprias exige que o candidato não esteja vinculado ao ProUni ou ao FIES para concorrer a uma das bolsas integrais — um indício claro de que a faculdade não opera com esses programas federais no curso de Medicina.
Mensalidade atualizada para 2026
O valor de R$ 13.020,00/mês é o divulgado para o ciclo 2026. Como mensalidades de faculdades privadas costumam ser reajustadas a cada ano, confirme sempre o valor vigente no site oficial da Faculdade Sírio-Libanês ou no edital publicado pela Vunesp antes de decidir.
| Item | Faculdade Sírio-Libanês |
|---|---|
| Fundação (hospital / curso de Medicina) | 1921 (Sociedade Beneficente) / 2025 (autorização do curso de Medicina) |
| Natureza jurídica | Privada, sem fins lucrativos e filantrópica (mantenedora: Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês) |
| Vagas de Medicina (processo seletivo 2026) | 85 (69 pelo vestibular, 4 pelo Enem, 12 por exames internacionais) |
| Duração do curso | 6 anos (12 semestres), período integral |
| Mensalidade de referência | R$ 13.020,00/mês (ciclo 2026) — consulte o valor vigente no site oficial |
| Formas de ingresso | Vestibular próprio (Vunesp) com MME, Enem e exames internacionais |
| ProUni / FIES / Sisu | Não aceitos no edital 2026 (até 5 bolsas próprias integrais) |
📝 Como entrar
O vestibular da Faculdade Sírio-Libanês é organizado com apoio da Fundação Vunesp, mesma banca que aplica o processo seletivo da FICSAE (Einstein). O processo seletivo próprio para Medicina segue duas fases: a primeira reúne questões objetivas, itens dissertativos e redação, aplicada presencialmente em São Paulo (e, em ciclos mais recentes, também em Brasília); a segunda é composta por Múltiplas Minientrevistas (MME) — formato de origem internacional em que o candidato passa por uma sequência de estações curtas, cada uma com um cenário ou dilema ético-interpessoal, avaliando habilidades como comunicação, empatia e julgamento situacional, e não apenas conhecimento técnico.
No lançamento do curso, em 2025, foram divulgadas 100 vagas anuais para Medicina. Já o edital do processo seletivo 2026 confirma um total de 85 vagas, distribuídas em 69 pelo vestibular próprio, 4 pelo Enem e 12 por exames internacionais (Baccalauréat francês, IB e Abitur alemão). O próprio edital menciona a possibilidade de oferta de até 100 vagas, mas o quadro de distribuição efetivo do processo seletivo 2026 aponta 85.
Fonte oficial do edital
O edital completo, com o cronograma, o quadro de distribuição de vagas e os critérios de desempate, está disponível no edital oficial da Faculdade Sírio-Libanês e no edital de bolsas próprias — confirme sempre os números vigentes antes de se inscrever.
Além do vestibular próprio, a faculdade também aceita a nota do Enem como via alternativa de ingresso (fora do Sisu) e reconhece exames internacionais — Baccalauréat francês, International Baccalaureate (IB) e Abitur alemão — como forma de seleção para parte dos cursos; o SAT é aceito para outros cursos da instituição, mas não para Medicina. A faculdade também mantém uma modalidade de transferência externa, condicionada à existência de vaga e à compatibilidade curricular entre a instituição de origem e a grade do curso. Não encontramos, nas fontes consultadas, confirmação de edital específico de segunda graduação ou portador de diploma para Medicina.
| Instituição | Natureza | Ingresso | ProUni / FIES |
|---|---|---|---|
| Faculdade Sírio-Libanês | Privada, sem fins lucrativos e filantrópica | Vestibular próprio (Vunesp) com MME, Enem, exames internacionais | Não aceita |
| FICSAE (Einstein) | Privada, sem fins lucrativos | Vestibular próprio (Vunesp) com MME, Enem, ingresso internacional | Nenhum dos dois |
| São Leopoldo Mandic | Privada, com fins lucrativos | Vestibular próprio, Enem, IB/Abitur/SAT | ProUni desde 2026 · sem FIES |
A comparação mostra uma coincidência interessante: Sírio-Libanês e Einstein, os dois maiores hospitais filantrópicos de São Paulo, escolheram a mesma banca (Vunesp) e o mesmo formato de segunda fase (MME) para selecionar seus alunos de Medicina — um contraste direto com o vestibular tradicional de prova única da São Leopoldo Mandic. Para uma comparação mais detalhada entre os dois formatos de MME, veja o comparativo Einstein x Sírio-Libanês.
🎯 Curiosidades e casos marcantes
- Nascida de um projeto da colônia árabe: a mantenedora da faculdade foi formalizada em 1921 por um grupo de mulheres da comunidade sírio-libanesa em São Paulo — mais de um século antes de a instituição abrir seu primeiro curso de Medicina.
- Um dos cursos de Medicina mais recentes do Brasil: autorizado pelo MEC em abril de 2025, com a primeira turma iniciando as aulas ainda naquele ano — por isso, a faculdade ainda não tem nenhuma turma formada nem egressos em Medicina; qualquer menção a "ex-alunos médicos" da instituição neste momento seria incorreta.
- Projeto TransPlantar: entre 2009 e 2023, o Hospital Sírio-Libanês, em parceria com o programa Proadi-SUS, realizou mais de 700 transplantes voltados ao SUS por meio desse projeto — incluindo 664 transplantes hepáticos pediátricos, 39 transplantes cardíacos em adultos e 24 implantes de dispositivos cardíacos, segundo balanço divulgado pelo próprio hospital. É um marco da atuação assistencial do hospital-mantenedor, não do curso de Medicina em si, que é recente demais para ter produzido marcos próprios.
- Prédio novo dedicado ao ensino: a faculdade funciona em um prédio de 11 andares construído especificamente para abrigar a graduação, na Bela Vista, próximo à Avenida Paulista — distinto das unidades hospitalares de atendimento.
🔎 Vale a pena?
A Faculdade Sírio-Libanês pode interessar a candidatos que valorizam infraestrutura nova, um corpo docente com alta titulação e prática clínica extensa (98% de doutores, segundo dados institucionais) e a possibilidade de aprendizagem por Múltiplas Minientrevistas — formato que pode favorecer quem se sai melhor em interação e julgamento situacional do que em provas puramente objetivas. A nota máxima obtida do MEC no processo de autorização também é um sinal positivo, ainda que distinto de um histórico consolidado de avaliações como Enade ou CPC, que só existirão depois de anos de funcionamento.
O ponto de atenção é justamente esse: por ser um curso recém-criado, não há ainda track record de formandos, desempenho no Enamed ou avaliações de ciclo completo do MEC — diferente de faculdades privadas mais antigas da mesma cidade. No campo financeiro, a mensalidade de R$ 13.020,00/mês (2026) é uma das mais altas entre faculdades privadas de Medicina em São Paulo, e a faculdade não aceita ProUni nem FIES; o principal mecanismo de acesso para quem não pode arcar com o valor integral, hoje, são as até 5 bolsas próprias integrais do processo seletivo 2026. Qualquer candidato deve confirmar valores e condições de bolsa diretamente com a instituição antes de se inscrever.
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Escrito por
Roseli Aparecida
Roseli Aparecida é a responsável pela curadoria editorial do VestibularMed. Ela organiza a pauta, revisa inconsistências e acompanha editais, cronogramas, notas de corte e resultados diretamente das fontes oficiais — universidades, Vunesp, Inep/MEC e bancas organizadoras — antes de atualizar os guias.
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